Por Francimar Araujo
O Novo Testamento tem 260 capítulos e há quase 300 referências a respeito da volta do Senhor Jesus. Isso nos mostra que um dos assuntos mais abordados no Cânon Neotestamentário é a volta de Cristo. A comunidade dos cristãos primitivos tinha a convicção deste acontecimento e esses crentes viviam as suas vidas de forma que a volta de Jesus fosse o evento mais aguardado para as suas almas. Para aqueles que viveram no primeiro século da Era Cristã a volta de Cristo era o agente motivador de suas ações. Eles evangelizaram praticamente todo o mundo conhecido de sua época, pois tinham a convicção de que Jesus voltaria a qualquer momento, por isso não queriam que ninguém deixasse de ouvir a mensagem de salvação.
A volta de Cristo tornou-se a principal causa impulsionadora da expansão do Evangelho no século primeiro. Nosso Senhor sempre alertou os seus discípulos acerca deste episódio e os incentivou a aguardá-lo independentemente do tempo transcorrido. A esperança dos seus seguidores deveria estar alicerçada em suas palavras. As palavras de Cristo jamais passariam. A Igreja primitiva esperava ardentemente o momento em que o Seu mestre iria buscá-la para estar eternamente com Ele. A Bíblia se encerra com a promessa do Senhor Jesus de vir buscar a sua amada igreja.
A última promessa das Sagradas Escrituras é a certeza da volta de Cristo. Assim diz o penúltimo versículo do Livro Sagrado: "Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus." Ap 22.20. A volta de Cristo é um acontecimento que faz parte do cronograma divino, embora não saibamos o dia de sua vinda, temos, pelas Sagradas Escrituras, a convicção de que ela é certa e literal. A segunda vinda de Cristo ou Parousia (I Ts 4.15), que é divida em duas fases, a saber: A primeira invisível para o mundo, na qual Cristo arrebatará (Harpazo - I Ts 4.17) a sua Igreja e a segunda visível para todo o mundo, onde Jesus virá (Epiphaneia - I Tm 6.14) com sua Igreja para estabelecer o seu Reino de mil anos na terra, tem sofrido ataques desde o início da Igreja.
O apóstolo Pedro defendeu a promessa da segunda vinda de Cristo em sua segunda epístola, pois já havia em sua época uma corrente que não acreditava mais neste evento como podemos ver no texto: "Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação." II Pe 3.3,4.
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Jürgen Moltmann |
A Teologia Contemporânea e liberal, que tem como um de seus representantes o teólogo reformado alemão Jürgen Moltmann, também ataca e desacredita da doutrina bíblica que defende a volta de Cristo. Segundo Moltmann, em seu livro intitulado Teologia da Esperança, a volta de Jesus Cristo não será real e portanto não trará a solução para todos problemas existentes no mundo quando do estabelecimento do Reino de Deus na terra pelo Seu Filho Jesus, mas segundo este teólogo a segunda vinda do Senhor Jesus é uma utopia que tem a finalidade de nos motivar a sermos, nós mesmos, os agentes que irão transformar por completo a sociedade. Apesar de termos a nossa responsabilidade como cidadãos do reino, a "Teologia da Esperança" ao considerar o retorno de Cristo como uma "Utopia", revela a sua total falta de comprometimento com a exegese bíblica e ignora muitas referências relativas a segunda vinda de Jesus como por exemplo: Jo 14.1-3; At 1.11; 1 Ts 4.16,17; Tt 2.13; Ap 22.20, etc.
O retorno do Nosso Senhor Jesus é de fundamental importância para o cumprimento de inúmeras profecias, bem como a instauração do Seu Reino de Justiça que terá a duração de mil anos (SI 2.8; 24.7,8; Is 9.7; 11.6-10; 35.1,2; 61.3; Jr 23.5,6; Mq 4.3-5; Zc 9.10 Ap 20.1-3, 7-10).
Em nossos dias a volta do nosso Senhor Jesus tem sido um assunto negligenciado nos púlpitos das igrejas evangélicas. Falta-nos verdadeiros arautos comprometidos e que não alteram a mensagem genuína da Bíblia Sagrada e que não estão buscando a glória efêmera dos homens. O apóstolo Paulo descreve a segunda vinda de Cristo como uma bem-aventurada esperança (Tt 2.13), mas vemos que os cristãos pós-modernos estão trocando a gloriosa esperança do retorno de Jesus por sonhos materialistas e humanistas. A noiva do Cordeiro tem sido seduzida por "novas teologias" que tentam iludi-la e roubar o seu coração.
Jesus sabia que não seria fácil para sua Amada Igreja aguardá-lo, pois sofreria vários ataques e enfrentaria muitas oposições caso quisesse permanecer firme esperando o retorno do Seu Amado Senhor. Os inimigos sãos numerosos: tempo, frieza espiritual, falsos profetas, materialismo, mestres espúrios e a busca desenfreada pela realização de sonhos que na maioria das vezes não fazem parte dos planos de Deus, mas que refletem um sentimento egoísta são alguns dos perigos que matam a esperança e tiram o ardente desejo que a Igreja deve conservar de ver a volta de Seu Rei e Senhor.
No Evangelho Sinótico escrito por Mateus, Jesus por meio de três parábolas a saber: Os dois servos, As dez virgens e Os talentos (Mt 24.45-51; 25.1-30), falou sobre a importância de seus discípulos estarem sempre alertas e vigilantes aguardando a sua vinda com responsabilidade.
Na segunda parábola utilizada pelo Senhor Jesus, Ele fala sobre dez virgens que estão aguardando o noivo para a celebração de uma cerimônia de casamento. Utilizando de um acontecimento especial e que faz parte de todas as civilizações, Jesus traz alguns ensinamentos e alertas para o seu povo com relação a sua volta.
É necessário um conhecimento cultural para entendermos como era realizado o casamento e quais os personagens envolvidos e suas participações no evento.
Além dos noivos, havia dois grupos principais: Os companheiros ou amigos do noivo, que ocupavam um lugar de honra e tinham como primeira tarefa formarem o cortejo além de carregarem a noiva numa liteira até o local onde seria realizado o casamento. O segundo grupo de destaque era o formado pelas damas de companhia da noiva que tinham a tarefa de acompanharem a prometida quando esta fosse receber o noivo. Esse segundo grupo é representado pelas dez virgens da parábola. Devido às altas temperaturas os casamentos eram realizados a noite. O noivo saía de sua residência e num grande cortejo acompanhado por muita música e festa seguia até a casa da noiva que aguardava ansiosamente este momento.
As virgens que acompanhavam a noiva tinham que portar lamparinas que iluminariam o caminho e davam um lindo visual ao séquito. Essas lâmpadas eram obrigatórias e deveriam ser usadas durante todo o trajeto. Não podiam ser grandes para facilitar a portabilidade, mas gerava um problema que era a pouca autonomia. As moças deveriam carregar um reservatório de azeite, pois se tardasse o noivo elas não ficariam com suas luzes apagadas. Bem diferente do ocidente nessa cerimônia a noiva espera o noivo e a tradição faz com que o noivo demore para chegar. Ao chegar na casa da noiva, o noivo é recebido com honras pelas acompanhantes da noiva e o lindo cortejo prossegue para o local onde será realizado o casamento, as pessoas trazem na mão um ramo de murta, os músicos tocam alegremente e a multidão festeja com canções. Quando chegam ao local, devido às altas horas, a porta é fechada e a casa se enche de comunhão e alegria.
Esse é o contexto histórico e cultural que envolve a parábola das Dez Virgens. Mas quais os ensinamentos que o Mestre Jesus queria transmitir a sua Igreja quando a proferiu?
A principal mensagem dessa parábola é sobre a prontidão. As virgens deveriam estar preparadas, pois mesmo se o noivo tardasse não seriam surpreendidas. As dez representam a Igreja em sua totalidade, pois o número dez simboliza a inteireza. São dez os mandamentos da Lei. Contamos dez dedos nas duas mãos. No mínimo dez pessoas eram necessárias para uma reunião da sinagoga. A décima parte pertence a Deus. São dez as cordas da harpa. Dez ofensas esgotam a paciência. Dez pães bastam para uma viagem. Dez foram as pragas do Egito. A besta do Apocalipse tinha dez chifres. O objetivo de Jesus é dizer que as dez virgens representam a comunidade dos crentes. Quando Cristo voltar os fiéis farão parte de um dos dois grupos. Não existe meio termo. Algo interessante é o fato de todas as donzelas adormecerem. As prudentes dormiram assim como as néscias. Nosso Senhor não as critica por terem dormido mas por estarem desprovidas do azeite necessário para abastecer as lamparinas. As cinco moças demostraram a sua prudência quando se mostraram preparadas quando foi preciso. Elas descansaram e adormeceram mas não se esqueceram de levarem a reserva de azeite. A figura do Óleo nos aponta para algo imprescindível e insubstituível, o Espírito Santo. A falta do azeite fala da igreja sem espiritualidade, sem combustível, sem luz. Uma igreja que não tem poder para desempenhar sua missão na terra, uma igreja que não tem o penhor da herança e que não está selada por isso é indigna de entrar no Céu.
Percebemos na parábola que as dez virgens tinham as suas lâmpadas acesas, mas no final apenas cinco conseguiram manter as lamparinas vivas. Entendemos que é possível começar no Espírito, mas depois perdermos a espiritualidade e não termos o poder de testemunharmos, pois é a presença do Espírito que dá ao cristão as condições de vencer o mundo. Quando é anunciada a chegada do noivo as cinco virgens prudentes limpam os pavios, para que as lâmpadas dessem uma luz forte e adicionam o óleo indo ao encontro do noivo que as recebe para as bodas. As cinco tolas foram desesperadas em busca de azeite. Tarde demais. Não havia mais tempo. Clamam pelo noivo e o chamam de Senhor, mas ouvem um solene "não vos conheço".
Jesus não marcou uma data para sua vinda e muitos erram em apontar um dia para tal acontecimento. Ele nos deixou avisos e falou acerca de sinais que antecederiam o seu retorno. Diante de todas essas explanações qual a nossa responsabilidade? Sempre que encontramos no Novo Testamento uma referência da volta de Cristo há solenes exortações e admoestações que nos falam de um assunto que simboliza a prudência das cinco virgens que é a Santificação. A nossa preocupação deve estar na maneira como aguardamos a volta de Jesus. Mas a nossa busca pela santificação só será plena quando o nosso coração estiver plenamente desejoso de estar com o Senhor. Quando a nossa maior esperança for o arrebatamento da Igreja. Não sabemos a hora que o nosso Senhor irá voltar, mas podemos vigiar e santificar a nossa vida para que estejamos preparados na sua vinda.
"Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor". Hb 12.14
Maranata!
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