quarta-feira, 7 de setembro de 2011

DISCIPULADO CRISTÃO


Por Francimar Araujo


Introdução


Segundo o Dicionário Vine, discípulo é um aprendiz que pratica os ensinamentos de seu mestre. Esta definição nos transmite a ideia do discipulado Cristocêntrico, o qual sempre busca colocar o Senhor Jesus como o paradigma de nossas vidas. Um discípulo não nasce pronto. Ele é formado e sua formação é um dos maiores desafios da igreja. O processo de formação de um discípulo deve seguir o modelo das sagradas escrituras, mais precisamente o padrão utilizado por Jesus. O missão da Igreja não termina com a evangelização, mas continua com a implantação do discipulado para àquelas pessoas que se convertem a Cristo. A evangelização finda com a alma se rendendo ao Senhor, no entanto o discipulado é uma lapidação contínua até que cheguemos ao padrão que Deus estabeleceu para nossas vidas.
A obra missionária e a missão discipuladora se completam e a segunda dá sentido a primeira. A formação do discípulo não está ligada ao denominacionalismo nem tampouco ao proselitismo, pois o objetivo é sempre levar o discipulando ao conhecimento de Cristo baseado pela influência da sua nova natureza e da ministração da Palavra de Deus. Será que estamos dando a devida importância ao discipulado cristão? Como estamos nos preparando para a realização deste trabalho?
Em nossos dias temos visto uma grande propagação do Evangelho, muito investimento em cruzadas, programas de tv, rádio e internet, mas o discipulado tem ficado em último plano. Temos sofrido com igrejas cheias de pessoas, espiritualmente frustradas, que não vivem a magnitude do evangelho por lhes faltarem discipuladores que as conduzam em sua nova caminhada. A melhor maneira de mudarmos este quadro é investirmos na formação de discipuladores com o propósito de levarmos os novos crentes à maturidade cristã.


Discípulo


A palavra grega traduzida como discípulo é mathetés, usada 269 vezes nos Evangelhos e Atos dos Apóstolos. O seu significado aponta para um aprendiz que aplica na sua vida, de maneira profunda, os ensinamentos de um mestre. Uma outra palavra é mimethés, que significa imitador, mostrando que Jesus é o nosso modelo em todas as coisas. Paulo em sua primeira epístola aos coríntios escreve: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (I Co 11.1). Em Jo 8.31 temos: “Dizia pois Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos”. Neste versículo temos como base para o discipulado cristão os ensinamentos do nosso mestre, o Senhor Jesus. O verbo permanecer nos dá a ideia de repousar, ficar sobre algo, guardar aquilo que foi ensinado. A passagem de Lc 14.33 nos diz: “Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo”.  O verdadeiro discípulo compreende que a vida cristã é sinônimo de renúncia, Não vive mas as suas convicções humanistas, tem uma profunda necessidade de fazer a vontade de Deus e está disposto a dizer como o Apóstolo Paulo: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.24). Assim, John F. MacArthur Jr.,  define um discípulo: “Discípulo é alguém cuja fé se expressa em submissão e obediência. Discípulo é alguém que segue a Cristo, que está inquestionavelmente comprometido com Cristo como seu Senhor e Salvador; alguém que deseja agradar a Deus. Seu objetivo é ser em tudo um discípulo de Jesus Cristo. Quando peca, busca o perdão e dispõe-se a continuar avante. Este é o seu espírito e o seu caminhar”.


Discipulado


O discipulado é uma ordenança de Jesus (Mt 28.19) e torna-se de extrema importância para o crescimento da Igreja. Apesar de termos no NT o maior número de referências relacionadas ao discipulado, encontramos vários discipuladores no AT. Moisés e Josué (Dt 3.28), Samuel e a escola de profetas (I Sm 10.10), Elias e Eliseu ( I Rs 19.20,21). A tarefa de transmitir o conhecimento da vontade divina sempre existiu. No NT temos nomes proemimentes como João Batista, Gamaliel que foi um grande rabino judeu, o Apóstolo Paulo e o Mestre dos mestres, Jesus Cristo. A Igreja é um organismo vivo em desenvolvimento. O discipulado torna-se necessário para o crescimento do Corpo de Cristo (I Pe 2.2). E esse desenvolvimento espiritual torna-nos capazes de vencer os enganos e sofismas que corrompem o verdadeiro Evangelho. A Regeneração, a Justificação e a Adoção, ocorrem instantaneamente após a Conversão, mas Sanficação que é operada mediante o Espírito Santo através da ação discipuladora da Igreja, é uma obra contínua até que cheguemos à medida de Cristo (Ef 4.13).


Discipulador


David Kornfield diz: "Discipulado é uma relação comprometida e pessoal, onde um discípulo mais maduro ajuda outros discípulos de Jesus Cristo a aproximarem-se mais dEle e assim se reproduzirem". Logo, o discipulador não pode ser alguém que se converteu há pouco tempo. A tarefa de formar um discípulo deve ser dada a alguém que já adquiriu uma maturidade espiritual e que demonstra frutos na vida cristã. Veja a recomendação de Paulo a Timóteo: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (II Tm 2.2). Discipular alguém exige daqueles que o fazem, total dedicação e comprometimento, além de graça e conhecimento para que às necessidades do discipulando sejam atendidas, durante o processo de aprendizagem. No entanto o principal é que os discipuladores sejam vocacionados por Deus para esta importante missão (Gl 1.15).


Formação do discípulo


A Grande Comissão é a principal tarefa da Igreja para com o Mundo, mas para que tenha sucesso, se faz necessária a formação de discípulos comprometidos com essa grande obra. Como devemos formar um discípulo? Dependendo de como respondemos essa pergunta, estaremos cometendo um grande erro que poderá levar ao fracasso, todo o trabalho realizado.  Como Jesus formou Seus discípulos? Jesus sempre ensinou às multidões (Mt 15.10; Mt 13.2; Mt 7.28; Mc 2.13), ou seja, Ele desenvolveu um ministério de ensino público. Dois terços do que está registrado nos Evangelhos com respeito ao ministério de Jesus foram dedicados ao ensino. Apesar de sempre ensinar a um grande número de pessoas, Ele elegeu um grupo formado por doze homens, cujo propósito seria ensinar-lhes particularmente (Mt 13.36; Mt 16.21; Mt 20.17), prepará-los para que após a Sua partida, eles pudessem testificar a respeito de tudo quanto tinham aprendido do Mestre e formarem novos discípulos. As grandes verdades espirituais do Evangelho e da Sua missão aqui na terra, bem como a Sua morte e ressurreição, Jesus revelou aos Seus discípulos mais próximos. O discipulado torna-se mais eficaz quando realizado de uma forma pessoal, pois além de transmitirmos o conhecimento, podemos acompanhar de perto o desenvolvimento dos neófitos, estando sempre prontos a ajudá-los quando fraquejarem na Fé (Mt 14.28-31).


Discipulado em Atos dos Apóstolos


O livro dos Atos dos Apóstolos, que é considerado o “Manual de Missiologia”, também nos apresenta não apenas uma Igreja comprometida com a evangelização, mas uma comunidade cristã que se preocupava com o ensino daqueles que aceitavam a Fé (At 5.21; 11.26; 20.20). O crescimento da Igreja Primitiva não estava apenas relacionado com o ensino, mas vinha de uma comunhão profunda entre os irmãos (At 2.44). A comunhão além de favorecer o crescimento espiritual dos crentes, provocava admiração dos incrédulos e contribuía para a evangelização (At 2.47). Discipular eficazmente envolve transmissão de conhecimento, acompanhamento, aconselhamento e comunhão. Vemos nos missionários, Paulo e Barnabé, que os mesmos passavam nas Igrejas que haviam sido fundadas, com o objetivo de fortalecer a Fé dos irmãos e acompanharem o desenvolvimento espiritual da Igreja (At 14.22; 15.36). Os Apóstolos não apenas evangelizavam, mas procuravam discipular, mostrando que o trabalho missionário sem o suporte das almas, torna-se incompleto na formação do discípulo. A Igreja, a exemplo de Cristo, precisa ser completa em sua missão (Mt 4.23).


Discipulado nas Epístolas Paulinas


Em todas as suas cartas, treze ao total, o Apóstolo Paulo tinha como objetivos o crescimento, a edificação e a formação de verdadeiros discípulos. Ele sabia que o modelo de vida da Igreja é o próprio Jesus (I Co 11.1). Se entendermos como discipulado, a tarefa de conduzirmos vidas ao senhorio de Cristo, não nos resta nenhuma dúvida quanto à importância dos escritos paulinos com relação a este assunto. Em suas recomendações, o Apóstolo dos Gentios, buscava sempre o crescimento da igreja, seja de forma individual ou coletiva. As recomendações eram muitas e demonstravam o seu amor pela Igreja do Senhor. Como poucos, ele discorreu sobre as principais doutrinas da Bíblia, trazendo esclarecimentos que edificaram a Igreja e a livrou das heresias de seu tempo. Na sua carta aos gálatas, combateu a doutrina dos judaizantes, que colocavam como necessária à salvação a prática da circuncisão, bem como pregavam o acréscimo da observância da Lei à fé. Diziam que a fé em Cristo sem estar acompanhada da guarda da Lei era insuficiente para a salvação. Em Gálatas 2.16, Paulo escreve que pelas obras da Lei ninguém será justificado. O zelo do Apóstolo o levava a ser muitas vezes duro com seus discípulos, mas tinha sempre como objetivo o crescimento do Corpo de Cristo (II Co 11.2). Elogiava e reconhecia as qualidades dos irmãos, transformando as suas palavras em exortação para a igreja. (I Ts 1.7-8). Quando não podia comparecer, enviava representantes, demonstrando a sua preocupação com o crescimento e fortalecimento das igrejas (I Co 4.17; I Ts 3.2). Um ensino forte encontrado nas cartas paulinas é a prática da oração. O Apóstolo colocava a oração como uma arma poderosa para o crescimento espiritual (Ef 6.18; I Ts 5.17). Paulo reconhecia o poder da oração intercessória e pedia aos irmãos que orassem pelo seu ministério (I Ts 5.25; Cl 4.3; I Tm 2.8). Mas de todas as formas que Paulo usou para que o discipulado alcançasse êxito, em nenhuma outra podemos ver o desejo do Apóstolo com relação ao crescimento do Corpo de Cristo do que na maneira como ele orava pelas igrejas (Cl 1.3,9; Ef 1.16-23; 3.14-19).


O Poder do Exemplo


Não poderia terminar essas considerações a respeito do discipulado cristão sem falar sobre este ponto: O Poder do exemplo no discipulado. Dificilmente alguém tomará um remédio para uma enfermidade se o mesmo não for comprovado e surtir efeito numa outra pessoa. Quando falamos de discipulado tenho a certeza de que a maior influência na vida de um novo convertido é a maturidade espiritual demonstrada por seus líderes através de suas ações. O recém-convertido precisa ver no nosso modo de viver, ou seja, a materialização das nossas crenças. Um discipulador é um guia, e não pode conduzir alguém por um caminho que ele mesmo desconheça. George Swinnock disse: “O homem é uma criatura influenciada mais por padrões do que por preceitos”. O Nosso Senhor Jesus sabia o poder que o exemplo tem para influenciar as pessoas e na famosa cerimônia do “Lava-pés”, para transmitir um ensino sobre humildade lavou os pés dos discípulos e disse: “Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também”(Jo 13.13-15). O  bom exemplo encoraja, fortalece, consola, edifica. O Apóstolo Paulo quando estava preso em Roma, falou das aflições que enfrentou e dos livramentos que Deus o deu com o objetivo de encorajar o jovem Timóteo a perseverar na Fé (II Tm 3.10,11). Ser exemplo, modelo ou padrão significa influenciar alguém. A essência da liderança é servir e através deste serviço infuenciarmos positivamente os liderados a realizarem o que desejamos. Não existe discipulado sem influência. O discipulador tem que estar consciente de sua responsabilidade, sabendo que as suas ações estará contribuindo para a formação do discipulando. Paulo ao escrever as suas epístolas pastorais alerta aos irmãos Tito e Timóteo quanto a importância de serem exemplos para as igrejas que estavam em Creta e Éfeso respectivamente (I Tm 4.12; Tt 2.7). O Apóstolo Pedro, um dos principais discípulos de Cristo, quando encrevia aos irmãos dispersos os encorajou a prosseguirem e perseverarem na fé mesmo padecendo perseguições e fez isso usando o Nosso Senhor como exemplo (I Pe 2.21).


Conclusão


Cristo  é o nosso modelo, a Bíblia nosso manual, mas não podemos abrir mão dos recursos necessários. Os métodos devem ser estudados e utilizados visando um melhor aproveitamento. Devemos investir na capacitação dos discipuladores para que tenhamos uma Igreja saudável e cada vez mais espiritual. Vejamos o que Tony Evans nos diz a respeito do discipulado: “Discipulado é aquele processo de desenvolvimento da igreja local que progressivamente conduz os cristãos da infância para a maturidade espiritual, de tal maneira que se tornam capazes de repetir o processo com outra pessoa”. Prossigamos com o objetivo de alcançar o desenvolvimento espiritual dos santos, para que possamos desfrutar de um crescimento verdadeiro e contribuirmos para igrejas cheias de genuínos discípulos do Mestre.


Bibliologia


Evans, Tony. Discipulado Espiritual Dinâmico. Editora Vida, 1ª edição, 2000.
Kornfield, David. Série Grupos de Discipulado. Editora SEPAL, 1994.
MacArthur Jr., John F. O Evangelho Segundo Jesus. Editora Fiel, 2ª edição.
Moore, Waylon. Multiplicando Discípulos. Editora Juerp, 4ª edição, 1995.
Vine, W. E. Dicionário Vine. Editora CPAD, 6ª edição, 2006.

QUALIDADES DE UMA IGREJA MISSIONÁRIA


Texto Bíblico: Mc 2.3-5,12.

Por Francimar Araujo


Introdução

          A magna missão da Igreja de Cristo para com o mundo é levar a mensagem do Evangelho. Proclamar as boas novas do Reino de Deus deve ser o maior objetivo de uma igreja que professa a fé em Jesus Cristo e tem compromisso com a sua Palavra. Nenhuma ocupação dentro da igreja pode tirar a importância da tarefa de ganhar almas, pois nenhum benefício que a Noiva de Cristo venha oferecer ao mundo pode ser comparado à importante incumbência de levar a preciosa semente do evangelho.  No livro dos Atos dos Apóstolos o evangelista Lucas registra as palavras do nosso Senhor dizendo: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (At 1.8). Com essa afirmação temos a convicção de que o agente capacitador de uma igreja evangelizadora é o Espírito Santo que qualifica o Corpo de Cristo para cumprir o ide missionário.
          Tomando como base a passagem bíblica do paralítico de Cafarnaum destacaremos algumas qualidades essenciais para o avanço da obra missionária.

          I – CONDUZIR OS HOMENS A CRISTO: Pregar o evangelho é conduzir o pecador ao seu Salvador. João Batista quando pregava no deserto ao avistar Jesus clamou para a multidão: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). A mensagem do Evangelho deve ser cristocêntrica mostrando a beleza e a perfeição do Deus que se fez homem para salvar todos os homens. A Igreja de Cristo pode realizar muitas tarefas, mas sempre terá como objetivo principal levar os que andam em trevas ao encontro daquele que é a Luz do Mundo.

          II – CONHECER O CAMINHO: É de fundamental importância para alguém que se disponha a ser uma testemunha de Cristo conhecer o caminho que leva a salvação. Numa certa ocasião um dos seus discípulos, chamado Tomé, afirmou não conhecer o caminho e Jesus respondeu-lhe dizendo: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Conhecer o caminho é antes de tudo ter uma experiência com o Salvador. É saber que salvação não está em filosofias, obras de caridade, ou religiões, mas sim que a verdadeira Salvação emana do próprio Senhor Jesus.

          III – PERSEVERANÇA: Em algumas versões da Bíblia Sagrada a palavra paciência é traduzida por perseverança. Manter-se firme e constante em meio às adversidades é uma qualidade indispensável para quem deseja se tornar um verdadeiro ganhador de almas. Forças Espirituais, Poderes políticos, barreiras geográficas, físicas, financeiras e culturais, são alguns dos gigantes que se opõem à obra missionária. O apóstolo Paulo demonstrou essa qualidade, pois as muitas circunstâncias contrárias não o impediram de proclamar o Evangelho (ll Co 11.24-27).

          IV – OUSADIA: A Igreja que apresenta uma ousadia provocada pela presença do Espírito Santo torna-se uma ferramenta poderosa nas mãos de Deus. Ousadia é sinônimo de coragem. Não falo de uma coragem cega que desconhece os perigos iminentes, mas de uma coragem que não se intimida a ponto de nos deixar inertes, mas age e colhe seus frutos. Para que a ousadia alcance seus objetivos ela deve estar fundamentada em Deus. Vejamos o que disse Davi a Golias: “Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado”(l Sm 17.45).

          V – FÉ: Como agradar a Deus sem fé? A Bíblia diz que é impossível (Hb 11.6a). A fé é a ponte que faz com que cheguemos a alcançar concretização das impossibilidades. Há discípulos cuja fé é inexistente e não chegam a lugar algum. Isso parece um paradoxo visto que o discipulado é uma jornada feita por fé. Há também aqueles que possuem uma pequena fé e quase sempre são repreendidos por não confiarem o suficiente. Mas o que dizer daqueles que são portadores de uma grande fé, que são capazes de crer a ponto de receberem elogios do próprio Deus. Na Obra de Deus tudo é feito por fé. Quem não tem fé não deve nem começar a obra missionária.

          VI – UNIDADE: Jesus em sua oração intercessória, no evangelho de João, roga para que os discípulos sejam perfeitos em unidade (Jo 17.23). A unidade não exclui a diversidade. O apóstolo Paulo nos ensina em sua primeira epístola aos coríntios que somos muitos membros, mas formamos um só Corpo. Ele ainda diz: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (l Co 12.13). Esse versículo nos mostra que a pluralidade de personalidades existente na Igreja de Cristo não pode influenciar negativamente na sua obra, pois todos nós somos regidos pelo mesmo Espírito. A unidade da Igreja é essencial para que haja sucesso na tarefa de conduzir os perdidos ao Senhor Jesus.

          VII – ESFORÇO: A vida cristã requer muito esforço. Ainda que seja prazeroso, frutífero e gere muita alegria, a caminhada na fé requer sacrifícios. A salvação é oferecida gratuitamente a todos e não precisamos fazer nenhuma obra para sermos salvos. A salvação é um dom de Deus (Ef 2.8). Mas sabemos que o processo de amadurecimento na fé requer esforço. É mister dizer que para o nosso  esforço glorificar a Deus ele deve ser  impulsionado pelo Espírito de Deus. Jesus compara a obra missionária a uma seara e diz que os trabalhadores são poucos. Evangelizar os pecadores sem Deus é uma tarefa que requer muito esforço. Oração, jejum, preparo bíblico, tempo, dedicação, recursos, são alguns dos sacrifícios que precisamos fazer para que a Salvação seja proclamada a todos os povos.

          VIII – URGÊNCIA: Como tratamos um doente que precisa de socorro urgentemente? Muitas vidas estão perecendo e a Igreja de Cristo tem tratado com morosidade a missão de proclamar as boas novas de salvação. A obra missionária tem um caráter de urgência e primazia em todas as atividades da Igreja. Devemos pregar a tempo e fora de tempo. Se não sentirmos as necessidades dos perdidos jamais teremos essa premência para pregar a Palavra. Assim como as mulheres correram para anunciar aos discípulos que Jesus tinha ressuscitado, nós devemos ter esta pressa para anunciar ao mundo seu Salvador.

          IX – SATISFAÇÃO: Não há palavras que possam expressar a alegria que missionário sente ao contemplar o rosto de alguém que acabou de ter um encontro com seu Salvador e recebeu o perdão de todos os seus pecados. Se anjos do céu se alegram quando um pecador se arrepende e eles próprios não sabem o que é ser redimido. A nossa alegria deve ser transbordante, pois nós sabemos o que é redenção. Jesus não morreu para remir seres angelicais, mas sim seres humanos. A satisfação deve está presente quando anunciamos a Palavra de Deus, mas o júbilo de vermos o pecador restaurado e perdoado deve ser infinitamente maior.

          X – AMOR: Tudo o que fazemos para Deus deve passar pelo crivo do amor. Ele deve ser o sentimento motivador de todas as nossas ações. Podemos realizar grandes empreendimentos no Reino de Deus, mas se a chama do amor não for o combustível das nossas atitudes correremos o risco de termos trabalhado em vão. Quando a Bíblia fala do amor de Deus pelo perdido ela usa a palavra grega ágape traduzida em algumas versões por caridade cujo significado é um sentimento que não age de acordo com os méritos, obras ou qualidades apresentadas pelo indivíduo que é alvo do amor Divino. Deus não precisa de uma motivação para amar. Deus ama por que Ele é Amor. Assim como o Amor de Deus o levou a agir em favor dos pecadores enviando seu único Filho, nós também devemos ser impulsionados a pregar o evangelho pelo mesmo amor.

Conclusão

          A Grande Comissão deve ser a principal ocupação da igreja na terra. Pregar o evangelho, batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e fazer discípulos é a melhor maneira de glorificarmos a Deus. Precisamos urgentemente romper as barreiras culturais, sociais, políticas e religiosas e cumprirmos o “ide” de Jesus. É necessário que proclamemos para todos os povos as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (l Pe 2.9). A ordem de Jesus é para que testemunhemos. Testemunhar é nossa obrigação, pois temos a incumbência de anunciar para todas as nações que Jesus Cristo é o único Salvador e Senhor.